segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Vinte segundos

A família compra uma casa caindo aos pedaços e ainda tem um zoológico no quintal. O filme não é bom. Ao contrário da frase.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Antes de dormir

Eu não sei o que as pessoas pensam ou se elas pensam antes de dormir, mas eu escrevo tanto mentalmente que cansa. É um ritual imposto pelo subconsciente que me faz criar diálogos (futuros e passados), encontrar pessoas, rir, sentir saudades, reviver cenas, montar encontros (verossímeis ou não). Pode ser algum tipo de válvula de escape para algo que não tive ou queria ter tido de uma outra forma, mas sempre fiz isso.

Algumas vezes, aquela conversa sai exatamente como montei, as palavras, os gestos e as expressões são os mesmos. Em outras, não sai nada parecido, mas naquela noite, sei que vou recriar tudo como eu queria que fosse. Talvez durma feliz, apesar de tudo.

E não são rabiscos, os pensamentos começam com caixa alta, têm vírgulas e pontos finais. As roupas têm cores, os olhos têm brilhos, as lágrimas realmente escorrem, se forem necessárias, e os sorrisos são tão reais que assustam. Se tiver sorte, me encontro sentada numa varanda no final do dia. Se conversamos bem baixinho, dá até para ouvir o barulho que sol faz quando está indo embora.       

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Já joguei um diário fora


Rubens Alves disse: 
"É impossível conhecer uma pessoa, diretamente. Mas é possível conhecê-la por aquilo que ela guarda. O que se guarda é um retrato da alma. Um diário registra muitas coisas. Mas essas muitas coisas, se ajuntadas, revelam o rosto de uma alma."
Quantas vezes já joguei coisas fora, apaguei e reescrevi. Quantas vezes já mudei. E me conheceram ou reconheceram novamente. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Bolas e pipas

O menininho que mal tinha aprendido a falar apontou para aquilo que viu no céu. Certamente, ele não sabia o que era uma pipa. Com muita sorte, o apartamento em que mora tem uma sacada e, de vez em quando, avista-se um avião passando lá em cima.

Com o novo brinquedo comprado, o loirinho não entendeu o porquê daquilo ficar tão longe dele, lá do lado dos aviões. Não gostou. Ele queria segurar a pipa nas mãos, o que o pai e o avô atenderam depois de falharem ao explicar que não era assim que se brincava.

Alguns minutos depois (o que provavelmente pareceram horas para a criança), a pipa não estava mais tão interessante. Os olhos atentavam-se para o carrinho do ambulante, que passava bem devagar com uma bola colorida. Alguma reclamações depois, lá estava o menininho com um novo passatempo. 

O problema agora era a bola dura e as perninhas que há pouco tempo tinham aprendido o poder do equilíbrio. E lá estavam o pai e o avô, atrás de outra, revestida com uma borracha menos agressiva para o garotinho.

Sem sucesso, voltaram com uma câmara de ar, do mesmo tipo da outra bola. Preta e totalmente sem graça, mas leve. Dessa vez deu certo, os três brincaram por alguns minutos.

Quando o menino cansou, procurou a mãe e sentou-se com ela. O pai e o avô voltaram a empinar pipa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Rede social não é uma carta aberta

Não faço declarações sentimentais publicamente em redes sociais de forma alguma e não me acho reservada por causa disso. Quase tudo tem uma função e, definitivamente, não é para este fim que utilizarei minhas contas online.

É uma troca tão íntima que por mais que eu goste da pessoa, não quero este momento sendo curtido e comentado por conhecidos virtuais. Não tenho a necessidade de mostrar gratuitamente a todos que o sinto, somente para o indivíduo em questão.

Não é ser contra o uso de redes sociais, é saber medir o que se deve jogar ou não na internet. Mas também não sou o exemplo do que se deve fazer. Não existe ainda, ou pelo menos desconheço, um manual para tal prática. 

Pode ser até uma visão romântica num tempo pós final do mundo, mas é tão mais gostoso dizer pessoalmente, conversar e ficar junto. Mesmo se não for para fazer nada, só para ter a presença da outra pessoa ali do lado.

Se isso for impossível por algum motivo, aproveite-se da tecnologia. E-mails, mensagens, SMS cumprem bem o papel até certo ponto. A diferença é o endereço fixo. O que eu quero dizer é: não marque seu/sua namorado(a) numa publicação, no pior do casos, mande por inbox.       

A magia da vida a dois, para mim, ainda é a vida a dois. Com seus segredos, declarações, culpas e lembranças. Há sentimentos que não surgiram para serem compartilhados com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hide and seek

Às vezes, era admirável a facilidade de camuflagem que ambos tinham. Em outras, sem esforço algum, era possível enxergar e até tocar o que ninguém vê.